sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Nosso futuro... tem futuro?

Companheiros,


como todo cidadão preocupado com o futuro da nossa gloriosa nação, olho por muitas horas do dia para as crianças. Porém, o que vejo não tem sido nada animador. As vejo com cada vez mais raiva da escola, com mais rebeldia contra seus pais e mais desrespeito com os mais velhos. Embora eu seja adepto da tentativa de formação da juventude revolucionária, alguns valores éticos e morais devem ser mantidos mesmo numa futura sociedade livre do capitalismo. O gosto pelo conhecimento e o respeito ao próximo devem estar presentes em qualquer jovem, seja ele um burguês, ou um revolucionário, porém vejo isso muito distante de nossas crianças, estejam elas no banco traseiro de um carro importado, ou de pé em um ônibus lotado. Gostaria da opinião de vocês, seja ela de alento ou de desesperança. É possível reverter esse quadro? Se possível, quais medidas devem ser tomadas? Qual a parcela de culpa dos pais destas crianças nessa situação?

Obrigado e até o próximo artigo.

12 comentários:

Coelho disse...

Dr. Ernesto,

realmente o que vem acontecendo com nossas crianças é muito preocupante. Mas, em partes, não acho que a culpa é toda dos pais, pois o mundo moderno em que vivemos hoje, torna esses tipos de comportamentos cada vez mais frequentes já em crianças com poucos anos de vida. A facilidade de adquirir maus hábitos é muito maior que a de buscar o estudo. Esse mundo é e está cada vez mais liberal e com isso os valores ético e moral estão ficando cada vez mais para trás, os bons costumes estão cada vez mais extintos. Eu como uma pessoa otimista e com fato de ter um filho, acredito que esse quadro pode ser revertido sim. De fato os pais podem contribuir bastante, mas temos que ver o lado daquelas crianças que perderam seus pais, mortos ou simplesmente que foram abondonadas, o que é uma realidade também, essas crianças se revoltam com a vida e as que não tem alguem para às guiarem pelo caminho certo, acabam si deixando levar pelo pior dos caminhos. Na minha opinião o melhor caminho para se reverter esse quadro seria a privação de certas facilidades que o mundo de hoje oferece. Que fosse evitado ao máximo que as crianças se exposessem a tanta informação contidas em videogames, internet, televisão, e que outras formas de divertimento, entretenimento e diversão fossem mais usadas como a prática de esportes, visitas à museus, pequeniques em familia, banhos de mar (pra quem pode), etc. Existem muitas outras opções em que si pode se divertir e adiquirir conhecimento mais distante desse conteúdo, muitas vezes infeliz.

J. Xavier disse...

Concordo com você, Coelho, porém acredito numa parcela maior de culpa dos pais do que você cogitou. Uma criança não vai comprar seu video-game na loja de brinquedos, muito menos tem assinatura de TV à cabo com todos os canais. Para mim, há uma irresponsabilidade evidente dos pais com relação à essa geração que está crescendo sem limites e regras, com a era do "É proibido proibir." Quanto às crianças abandonadas, acredito que o Estado tem de tomar providências para sua melhor educação, não apenas as jogando num orfanato ou em um abrigo. A indústria está desesperada atrás de mão-de-obra qualificada e as escolas técnicas estão cada vez mais escassas. Essas escolas seriam uma ótima oportunidade de incluir socialmente essas crianças, porém, gera mais dinheiro deixá-las na rua e gastar milhões em licitações duvidosas na área de segurança pública. Enquanto o povo não parar de olhar as verdadeiras cabeças pensantes desse país, como "neuróticos" e "com mania de perseguição", não vamos sair deste estado deplorável.
Só um detalhe: Bienal do Livro. Ingressos? 12,00. Ônibus? No mínimo dois pra quem mora na Zona Norte como eu. Eles querem que o pobre tenha cultura?

Manja disse...

Bem, não li os comentários, mas notei alguns pontos que achei um pouco equivocados: Não há "culpado" pelas novas gerações, que são cópias das antigas que se perpetuam. Não há formação de revolucionários, já que não há revolução. Não há uma defesa da "moral e ética", já que o mundo é um mundo "flutuante" e mutável, onde as coisas vivem em desenvolvimento, quer seja para o que achamos que é "bom", quer seja para o que achamos que é "mau", e ainda assim esses valores mudam de pessoa a pessoa. No mundo moderno da sociedade livre do capitalismo, a única coisa que muda é que sabemos o que acontece e somos livres para querer aceitar isso, ou não. E como aceitar? Existem pessoas que acreditam na Educação. A Educação seria um ponto onde as crianças se "salvariam" da ignorância, um aspecto beeem iluminista ainda nos dias de hoje. Entretanto, como todos sabemos, é na escola ao estilo "França revolucionária" (e digo aí uma boa revolução, aquela do século XVIII) onde as crianças aprendem o desrespeito a essa "moral e ética". A pergunta que me fica é: Será necessário Reverter alguma coisa? Não há medidas a serem tomadas, explode o mundo e começa do zero, evitando que as pessoas desenvolvam-se livremente em sociedade! (ou faça a tal revolução, que dá no mesmo). Tentar frear o Homem é quebrar o pedal, antes da "igualdade" e da "fraternidade" o homem presa, pela "liberdade" (ao modo séc. XVIII mesmo). Ah sim, só para não dizer que não falei dos pais: Sim, é culpa dos pais também, pois eles mandam as crianças para a escola, deixam-nas verem televisão, internet, telefone... Enfim, eles deixam as tadinhas viverem em sociedade! É, não tem jeito, não há moral e ética que seja imutável, talvez daqui há 50 anos um outro blog pergunte a mesma coisa falando: "ah como era bom a moral e ética de 2009!" Bem, o que podemos é garantir o melhor das nossas crianças nesse novo mundo, é isso que temos que lutar a favor, não de restaurar uma moral decadente que não há pilar que a sustente mais.
Abração.
Rafael Gomes (Mosquito)

Anônimo disse...

Olá, um bom dia a todos. desde já meus parabéns aos idealizadores deste espaço de debates produtivos. Sobre o tema destas semana, me faz recordar um artigo publicado no jornal "Le Monde Diplomatique - Brasil" assinado pelo professor Yves La Taille-USP, sobre Consumismo Infantil. Estamos vivendo em uma sociedade extremamente consumista, o que ocasiona grande parte dos malefícios pelo qual passa o nosso planeta. Contudo, o que não percebemos com muita frequência é que este consumo está entranhado desde os nossos primeiros anos de vida. A máquina publicitária brasileira especificamente, deposita sobre as crianças uma necessidade de pedirem a seus pais, desde os brinquedos da "Hora" que provalvelmente está sendo divulgado pelo ídolo do momento, até sua entrada na adolescência com os interesses pelas roupas de marca (etc), formando assim o ciclo consumista que aliena grande parte da sociedade brasileira, até mesmo pessoas das craces mais baixas. Diante desta verdadeira "bulimia de consumo", tanto o Estado como nos pais ou futuros pais, devem se preocupar com uma educação de consumo saudáveis, pricipalmente as crianças que ainda não possuem uma coerência psicológica para de cernir o que realmente as agrada.

sobre o assunto:
Le Monde Diplomatique, dezembro 2008
filme: 1,99 Um supermercado que vende palavras
Rafael Ferreira

Julinho da Adelaide disse...

O problema do "é proibido proibir", meu caro J, é um reflexo daquilo que talvez seja a maior mazela da nossa sociedade. A "Herança Maldita" do regime militar que se firmou em nosso solo por quase 30 anos. Talvez a falta de "coragem" do povo ir para às ruas e exigir os seus direitos é o medo de apanhar das autoridades repressivas. E o receio de cercear os limites das crianças é de traumatizar os infantes como nós ficamos traumatizados com tanta repressão. Porém, isso não justifica, pois o resultado tem dado sinais de que será desastroso.

J. Xavier disse...

Caro Mosquito, acho sua opinião meio messiânica, de fim dos tempos, ou de "essa merda não tem jeito". A educação sim, pode tirar as crianças da ignorância, por mais que você descreva uma escola nos moldes da Revolução Francesa, acho que nosso papel é tentar modificá-la, e não permancer de braços cruzados, achando que o que está acontecendo não tem jeito de ser modificado, isso é tipico de um conformado sem coragem de lutar pelo que seria melhor pra todos, por mais que o melhor para todos, seja na verdade, um "melhor para a maioria". Acho que é assim é menos revoltante do que "quase iguais perante a lei.

Quanto aos outros comentários, concordo plenamente.

Kíssila disse...

Bom, não acredito que o problema seja relacionado a tecnologia apresentada as crianças de hoje, pois moro em um lugar onde grande parte dos moradores são humildes e não tem acesso a nada disso mas são tão mal-educados qt qualquer pentelho da zona sul. Acredito que a culpa até certo ponto seja dos pais sim, pq como podemos exigir educação dessas crianças, se os pais delas só vivem correndo na estrada pra chegar rapidinho em Cabo frio? (como foi citado em outro post). E isso é só um pequeno exemplo é claro, mas o q quero dizer é q se as crianças tem péssimos exemplos dentro de sua própria casa, o q podemos esperar delas?

Manja disse...

J. Xavier.

Primeiro, não tem nada de "não tem mais jeito" e sim: "as coisas se encaminham para isso e isso se chama sociedade", segundo: não ter coragem pra lutar e não ter pelo que lutar parece-me a mesma coisa, pois quem diz que é errado e não faz nada e quem diz que é certo e não faz nada, têm a mesma posição! Não digo para mudar, porque não há o que ser mudado, as coisas são assim, não por conformismo, mas sim porque se você acha certo criar seu filho às cegas, aos moldes do século XIX (onde o socialismo era bonito e não chacota), a escola da Rev. Francesa, como disse, não é algo ruim, e sim algo que contribui para a mudança social, não há país, não há pais, o que há é interação, está tudo conectado, tudo ligado, não há como desfazer isso, e desfazer é andar pra trás, resgatar essa moral pífia e ultrapassada é andar pra trás! O país será um país como sempre foi daqui há 50 anos, só que cada vez mais interativo! Não é ser messiânico, é ser século XXI, com idéias do século XXI, alguém citou a pós-modernidade, a pós-modernidade e o caos não são reversíveis, não importa o quão socialistas-retrógrados sejam os idealizadores, Até Paulo Freie sabia que o futuro é diferente do passado, então, se querem falar de Educação, educação do futuro, TEM que incluir a internet e os males e os bens que ela traz. Os males são sempre pequenos perto dos bens, pois tirando uma sociedade molde século XIX, quem precisa de identidade? quem precisa de nação? Não há nação, há interação... Sejamos conscientes sem sermos inocentes, para Frente Brasil! não para trás galera!
Abraços, "camaradas"

Mosquito.

J. Xavier disse...

Caro, em nenhum momento condenei a internet ao fim de sua existência. Só acho que essa sociedade se encaminha para o caos, que segundo você, é irreversível. Bom, eu vou tentar mudar isso, mesmo que seja apenas dentro da minha casa, e, no fim dos tempos, se ele chegar, veremos quem tem razão.

Kíssila disse...

Viva o J. Xavier!

Peter Garcia disse...

Juro que tento ver a juventude com um olhar positivo,mas é quase impossivel. Mas não culpo o jovem em si,mas sim a sua criação em casa. O jovem de ontem,mesmo que alienado,lutava por seus direitos...os de hoje só pensam em consumir drogas,transar com qualquer um e ouvir funk(com letras despreziveis) em seus celulares roubados nos assentos atrás do cobrador do onibus. Claro que não podemos generalizar,mas falo da maioria.
Espero que eu esteja errado e essa juventude encontre seu caminho,afinal,são o futuro da nação.

Daniel Braga disse...

Esse texto me lembrou um que eu li a muito tempo atrás, no qual vários pensadores de diversas épocas falavam sobre seus jovens. Essa visão que temos hoje foi compartilhada pelos mesmos. É bom lembrar que dessa juventude problemática que saem os brilhantes adultos.
Não quero passar a mão na cabeça desses jovens, foi só um ponto que queria ressaltar. Se eu encontrar o texto entro em contato e envio.
abraços.